terça-feira, 30 de abril de 2013

Até que a gente se encontre

Percorri o caminho que precisava mas detestava a ideia de percorrer. Em meio a tanto silêncio e centenas de lápides, procurava sem querer a sua. A que teria seu nome escrito, provando o que meu coração até hoje não quis aceitar. Passei os olhos por dezenas de nomes e a cada passo meu coração se apertava com medo de o próximo nome ser o seu. Reparava o tão curto tempo que muitos ali tinham vivido e imaginava quanta dor já havia sido sentida naquele lugar. Percebia enquanto andava alguns túmulos ainda marcados pelas lembranças recentes que muitos deixaram ali. Flores, terços, fotos e velas para demonstrar que uma vida foi muito pequenina pra amores tão grandes. 

Ao encontrar o local da sua sepultura, senti que nada no mundo fazia sentido. Penso que minha respiração parou por alguns segundos, até eu assimilar a ideia de que eu tinha achado o que ninguém nunca merecia ter encontrado. Agachei ao lado daquela lápide, que foi a primeira que visitei na vida, e passei os olhos e os dedos incontáveis vezes pelas palavras que gravaram lá. Seu nome, os números de identificação, a data do seu nascimento, a data em que você se foi. Senti uma tristeza que não sei explicar com palavras. Desejei tanto poder voltar no tempo e te salvar disso tudo, quis tanto ter o poder de mudar sua história ou pelo menos só aquele dia, pra você não estar naquele lugar, naquela noite, naquela hora... 

Enquanto olhei pro seu nome ali, não parei de chorar um minuto sequer. Vi que algumas lágrimas acabaram molhando seu túmulo e me perguntei se aquilo era correto. Desejei ter algumas flores ou algo bem bonito pra deixar lá, pra que todo mundo sempre soubesse o quanto você era amado. Mas percebi que tudo o que eu tinha era minha tristeza de não poder te ver ali. Mas de certa forma me acalmava saber que nada daquilo era você. Onde você estava era sempre alegria, sorriso ou no mínimo agitação. Aquele lugar era quieto demais pra você ter suportado ficar ali. Eu sei, você não está lá. Provavelmente está no céu, vendo o quanto eu queria te ter de novo aqui.

Fiz as contas depois: cento e vinte e nove dias. Cento e vinte e nove dias e doía como se nenhum deles tivesse se passado. Da última vez que nos vimos você segurou minha mão e disse que me amava, lembra? E eu também te amo. E vou continuar amando, mesmo quando milhares de dias tiverem passado. Pra sempre, Filipe José Silva. 






"Now he's gone even though I hold him tight. I lost my love, my life that night."