quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Quando a insegurança bate à porta


Não foi preciso de mais do que um desenho para despertar um sentimento que nunca havia experimentado desde então. Abriu o caderno do namorado e viu desenhado o nome de qualquer menina. Nome esquisito que, pelo fato de estar ali, não foi reparado pela feiura e sim pelo lugar onde estava. Tantas listas de chamada, portas de banheiro e carteiras de sala de aula para ser escrito, mas a vaca resolveu assinar o nome logo ali, no caderno do namorado de alguém que já não gostava dela. Pior, na mesma folha em que o próprio quis desenhar o nome terrível. Por que, meu Deus? Por que? 
A paranoia invade a cabeça da gente, meras mortais portadoras do cromossomo x. A coisa se agrava se o cara não explica de onde vem aquele nome e por que foi parar ali. Simplesmente desconversa. Sherlloma. Impossível alguém escrever esse nome porque achou bonito, muito menos porque queria escrever qualquer um. Porra, não dava pra ser Maria? Clotilde, Sebastiana? Sherlloma é sacanagem! Podia ter desenhado uma girafa, um camelo, um boi. Mas não, desenhou o nome da vaquinha. Daí a gente pergunta calmamente o que é aquilo e o cara diz que é sobre a matéria. Não, é demais pra mim. Ele podia ter inventado qualquer desculpa, menos descartar o óbvio. Ok, a gente releva porque somos moças educadas, não fazemos barraco, não damos ataques de ciúme e não queremos parecer histéricas. A gente xinga mentalmente, nada mais que isso. Fica esperando qualquer explicação, silenciosamente. E o que acontece? Nada. Nada acontece. A explicação não vem, você finge que esquece e tudo bem. Mas não tá tudo bem. Aquilo fica na sua cabeça e não sai nem com banho de arruda. E a imaginação da gente é forte, produz mil histórias.
Daí a gente volta pro mundo real e percebe: estou surtando. O cara é ótimo, super atencioso, carinhoso e bacana com você. Faz tudo pra te ver, fica do seu lado quando você tá mal, te faz rir e mostra que gosta de você como pode. Essa é a hora de deixar de lado a imaginação. Pensar direito e reparar o todo, não os fatos isolados. Afinal, apaixonar-se é isso. É ter ciúme, é ter medo de perder. E daí mostrar isso às vezes? Melhor que, por orgulho, deixar a insegurança guardada e disfarçar emoções. A gente aceita as desculpas e segue em frente, porque quem quer ficar junto não pode destruir uma relação bonita por causa de um monte de fantasia arquitetada pela cabeça da gente. 
Depois de um dia inteiro remoendo a história e sofrendo pela falta de explicação, fui lá perguntar. Parecendo uma louca, falei na lata o que eu estava achando. Disse que foi péssimo ter ficado naquele clima e que, como uma ciumenta recém assumida, coloquei pra fora o que me incomodava tanto. Resultado: acabou tudo bem. Ele explicou, eu entendi. Nada de mais aconteceu. Quando a insegurança bate à porta, o melhor a fazer é valorizar a nossa relação e agir racionalmente. Avaliar se há confiança entre os dois, conservar a relação se houver e descartá-la se já não se confia um no outro. Quem se alimenta de desconfiança morre de fome. O ideal é estar ao lado de quem se confia, apesar do ciúme que às vezes acorda dentro da gente. Saber perdoar e saber amar, apesar das pedras e das vacas no caminho.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Let it go

A primeira coisa em que eu pensei quando quis escrever algo para ou por você, foi em de que eu te chamaria. Escolhi o "meu bem" de sempre, porque muita coisa permanece igual desde o dia em que eu passei a te chamar assim. O fato é que algumas coisas mudaram, também.
Preciso dizer que me sinto esgotada. Nos últimos tempos tenho usado toda a força que eu tenho para garantir que você esteja bem. Por muitas vezes relevei o que era essencial para mim por pensar mais em você. Por você passei por cima do orgulho, das lágrimas e das vontades bobas. Talvez tenha ignorado muitos dos planos que eu tinha pra mim e esquecido do que antes era prioridade. Mudei a ordem da velha lista, te coloquei no primeiro lugar da fila. Mas meu bem, tente por alguns minutos não me julgar ou deixar que seus sentimentos tomem conta dos seus pensamentos. Apenas leia: eu não posso mais continuar. Continuo a te chamar de meu bem por todas as coisas e momentos felizes que você me trouxe. Pelo bem, literal e intenso, que você me fez.
Não estou pregando o ponto final da nossa história por nada que você tenha me feito. E dessa vez, não vou implorar por compreensão. Não vou ter a pretensão de achar que vai tudo acabar em paz e sem dor. Mas espero, do fundo do meu coração, que o fim seja sem mágoas. Eu desejo apenas que você aceite e queira o meu bem, assim como eu quero o seu. E se possível, lembre de todas as coisas boas que vivemos juntos.
Fiz tudo o que achei que era certo. Fiz por você o que nunca fiz por ninguém. Quis cuidar de você como poucos quiseram cuidar de mim. E por isso, peço apenas que tenha por mim um sentimento bom. Aceito o que for. Gratidão, amizade, carinho. E se signifiquei algo pra você, peço também que você se cuide. Que siga em frente, como o homem que eu sei que você é, e não como um carinha desses que a gente acha em qualquer lugar. Quero muito olhar pra você um dia e ver que você ainda merece o respeito e a admiração que você conquistou durante o tempo que estivemos juntos.
Eu te agradeço muito por tudo que fez e foi por mim. Agradeço, principalmente, pelo amor que você me deu. Pela alegria que você trouxe, pela atenção e pelo cuidado. Saiba que estou terminando nosso namoro, mas não estou te deixando. Porque namoro a gente termina, mas companheirismo não. Se quiser ficar do meu lado, eu também quero ficar do seu. Não vou me iludir ao ponto de pensar que tudo pode voltar a ser como quando éramos só amigos. Mas não te quero como um estranho. Estamos apenas livres agora. Não é obrigação que a gente se suporte, converse, se goste. Mas vem comigo ver no que isso vai dar.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Quando tem chuva


Podia ser sempre assim: garoa caindo cedinho, um pouquinho de sol pro horário de almoço, tempo nublado durante a tarde e, por fim, noite chuvosa. Quando criança, morei numa casa em que, sempre que chovia, o barulho da água continuava nas calhas até mesmo depois que o temporal já tinha passado. Meu gosto por chuva é antigo, o barulhinho dela na janela sempre me encantou. Fazia chocolate quente, fugia pra debaixo do cobertor mesmo estando um pouco calor. Fingia estar na Inglaterra úmida, fria e chuvosa enquanto assistia a programação goiana da tv.
Normal a gente deixar um pouco de se divertir com as coisas simples quando a gente cresce. Hoje em dia, depois da primeira gota d'água já fico imaginando o que vai ser do meu cabelo e dos meus pés. Ameaço até a vida do namorado se ele insiste em ir ao parque logo quando está na cara que a chuva vai cair e estragar a chapinha. Mas vou. Vou porque, na verdade, o cabelo não importa tanto assim. Porque a companhia do passeio compensa o estrago no visual. Vou porque é divertido puxar ele pela mão e implorar pra que ele não empaque e ande mais rápido antes que a chuva chegue. E só quando tem chuva fico morrendo de medo de cair quando ele resolve me carregar passando pelo chão molhado. E sacode as árvores pra me molhar. E me faz pisar no matinho molhado só pra molhar meus pés. E fico brava. E ele ri de mim. Mas logo a gente esquece.
Quando tem chuva dá vontade de ficar juntinho, de não dar tchau. De ter uma casinha pequena e confortável só nossa pra esperar a chuva passar. E continuar lá. Hoje choveu e foi bonito. Agora não chove mais. Mas se o tempo virar, volta pra cá. Pra me dar a mão outra vez e ficar abraçadinho comigo, pro dia passar e a gente lembrar mais tarde. E a gente vai ter histórias de mil chuvas pra contar.