quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Quando tem chuva


Podia ser sempre assim: garoa caindo cedinho, um pouquinho de sol pro horário de almoço, tempo nublado durante a tarde e, por fim, noite chuvosa. Quando criança, morei numa casa em que, sempre que chovia, o barulho da água continuava nas calhas até mesmo depois que o temporal já tinha passado. Meu gosto por chuva é antigo, o barulhinho dela na janela sempre me encantou. Fazia chocolate quente, fugia pra debaixo do cobertor mesmo estando um pouco calor. Fingia estar na Inglaterra úmida, fria e chuvosa enquanto assistia a programação goiana da tv.
Normal a gente deixar um pouco de se divertir com as coisas simples quando a gente cresce. Hoje em dia, depois da primeira gota d'água já fico imaginando o que vai ser do meu cabelo e dos meus pés. Ameaço até a vida do namorado se ele insiste em ir ao parque logo quando está na cara que a chuva vai cair e estragar a chapinha. Mas vou. Vou porque, na verdade, o cabelo não importa tanto assim. Porque a companhia do passeio compensa o estrago no visual. Vou porque é divertido puxar ele pela mão e implorar pra que ele não empaque e ande mais rápido antes que a chuva chegue. E só quando tem chuva fico morrendo de medo de cair quando ele resolve me carregar passando pelo chão molhado. E sacode as árvores pra me molhar. E me faz pisar no matinho molhado só pra molhar meus pés. E fico brava. E ele ri de mim. Mas logo a gente esquece.
Quando tem chuva dá vontade de ficar juntinho, de não dar tchau. De ter uma casinha pequena e confortável só nossa pra esperar a chuva passar. E continuar lá. Hoje choveu e foi bonito. Agora não chove mais. Mas se o tempo virar, volta pra cá. Pra me dar a mão outra vez e ficar abraçadinho comigo, pro dia passar e a gente lembrar mais tarde. E a gente vai ter histórias de mil chuvas pra contar.

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