Não sei quantas vezes acordei antes das seis da manhã pensando: não aguento mais essa vida de estudante. Depois de anos e anos de uma carreira escolar não muito brilhante mas com certeza cansativa, o terceiro ano do ensino médio me parecia a última etapa de todo aquele grande período de sofrimento.
Acordar de madrugada no horário de verão, ir pro colégio com a cara amassada, esquecer a carteirinha, morrer de sono durante as aulas chatas, passar a manhã de sábado estudando pra prova a tarde, fazer as continhas pra ver quanto precisava tirar na próxima prova pra compensar o fracasso da primeira, paralela no domingo e ainda um vestibular no final do ano... Enfim, parecia ser o cúmulo da pressão, um sofrimento eterno.
Mas quer saber? Não foi. Agora que já passou, olho pra trás e vejo que não era exatamente sofrimento, e muito menos eterno. Pelo contrário, passou voando. E apesar de toda a preguiça e cansaço, não existia compensação maior pra isso do que chegar no colégio e ver aquelas pessoas que te faziam rir a manhã inteira na mesma situação que você. Olhar pra cara do seu amigo e ver que ele estava com mais sono ainda, então tudo bem aqueles cinquenta minutos eternos de primeira aula chata. No final das contas, toda aquela pressão se disfarçava com a diversão que a gente tinha. Era rotina dura e cansativa, mas era em boa companhia. E que falta eu sinto disso. Das piadinhas fora de hora, das gracinhas dos professores, dos bilhetinhos passando, da cópia desesperada de tarefas.
É, faz falta. A gente consegue preservar alguns amigos, manter alguns contatos, mas nada se compara a convivência diária, o abraço de todo dia, a leveza da parceria rotineira. É meio triste essa fase de gente indo embora. Tudo vira nostalgia pura. Mas o momento de deixarmos ir sempre chega, não há como fugir - clichê do destino. O tempo passou, algumas amizades também têm passado. Mas a saudade e as boas lembranças ficam. Vocês foram os melhores! ♥

