Há quase dois meses minha mãe ganhou flores de presente no aniversário. Orquídeas brancas. Para falar a verdade, não entendo muito de flores. Mal sabia realmente como cuidaria dela, já que minha mãe nunca revelou aptidão para esse tipo de serviço. O fato é que a tal orquídea mudou minha rotina. Quando saía, ficava preocupada com a flor. Não pode ser regada muitas vezes, senão morre. Tenho uma irmã de sete anos e sei que criança adora afogar flores. Mandei deixar a flor por minha conta. "- Pode deixar que eu cuido dela.", falei com a certeza de que eu seria capaz. Acontece que, se não regar, a planta também morre.
Confesso, me preocupei. Olhar para o cantinho onde a flor havia sido colocada tornou-se mania. Ficou na cozinha - lugar estratégico. Depois que almoçava, lá ia conversar com a flor. Não intencionalmente. Ficava olhando as pétalas, folhas e, quando menos esperava, lá estava perguntando se a flor estava feliz. Dei até nome à ela: Tulipa. Eu queria um nome de flor, mas geralmente as pessoas não dão nome às flores. Então escolhi Tulipa, que acho um nome legal.No começo ela tinha um certo brilho, uma vida peculiar que exalava uma aura de simplicidade. Mas acho que não sou uma boa cuidadora de flores. A Tulipa não está muito bem. Tem murchado cada dia mais, perde o brilho e a rigidez. Rego, converso, já até coloquei comida lá - e nada. Como é difícil cuidar de uma vida, até quando são flores!
As coisas são mais ou menos assim para as pessoas. Às vezes abrimos mão da nossa tranquilidade em nome de um cuidado, um carinho. Mudamos nossos horários para atender as necessidades do outro, tentamos novas maneiras de agradar. Mas, às vezes, simplesmente não funciona. O carinho não é suficiente, o cuidado não é o correto, a necessidade não é suprida. A carência fica viva e não há mais muito o que fazer. Não adianta dar o que não se precisa. É preciso aprender!
Aprender que cuidar de alguém não é dar o que você acha que é ideal. É buscar saber o que é realmente necessário e o que é dispensável. É saber que carinho demais sufoca e de menos faz falta. Aprender que às vezes o que você tem não é o que o outro quer - cada um tem suas vontades, seus desejos, suas faltas. Mas, acima de tudo, aprender a cuidar de alguém implica aprender a cuidar de si. Saber que nem sempre é possível agradar, nem sempre é possível se entregar. Nessas horas, o melhor é aproveitar o perfume das flores que ainda há, porque assim como as flores murcham, as pessoas vão embora. Em você, o perfume que fica é a essência.
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