Nesse dia tudo foi mais triste. Primeiro, se assustou. Tão ingênua, achava que tinha ao seu lado alguém muito diferente de todas as outras pessoas que conheceu. Pensava que quem lhe amava era somente seu, sem medos e sem dúvidas.
Errou. Então sentiu raiva e atacou, pois percebeu que nunca saberia de todas as verdades que gostaria e que mentiras nem sempre são reveladas. Despejou sua ira e cobrou uma explicação que não existia.
Depois, se decepcionou. Descobriu que quem tanto lhe elogiava, podia elogiar outras mulheres também - inclusive com belezas muito maiores que a sua, se é que tinha alguma. Viu que a concorrência era desleal. Desconfiou da veracidade do que havia recebido até então.
Daí se odiou. Se sentiu enganada, a boba da vez. Odiava seu corpo, que até então aceitava sem problemas e até se sentia bem com ele. Odiava seu cabelo, que pintou pra surpreender o outro. Odiava sua cor, que era oposta à dele. Odiava a própria voz, que julgava ser muito infantil. Odiava até seus pensamentos, pois não conseguia perdoar, tampouco esquecer. Sentiu vergonha de si mesma e de tudo que já fez.
Por fim, se conformou. Não encontrou maneira de colocar um ponto final naquela história e ainda amava quem deixou partir a lealdade. Que, embora não tivesse outro alguém, mexeu com o que não poderia ter sido tocado: a confiança de quem ama. O cristal que não deve ser quebrado, o único remédio para a insegurança, o único antídoto da dor.
E assim o dia terminou. E ela segue se perguntando o que, afinal, acabou.