sábado, 15 de dezembro de 2012

Filipe José Silva ♥


É engraçado como as pessoas vão embora de repente, né? Engraçado como a vida e a  morte andam juntas, e a qualquer momento uma se põe no lugar da outra. E é engraçado como a gente fica relembrando e revirando na memória os melhores momentos que hoje só podem ser lembranças. Tudo o que um dia foi e não pode mais ser. Que existiu e agora se perdeu em algum lugar. É engraçado como isso é confuso, né? Não, não é. Não tem nada de engraçado nisso. Só existe dor, só existe desespero. A saudade de você é tanta que me dói fisicamente, sabia? Eu queria tanto, mas tanto, saber que você não me deixou. Saber que de alguma forma você ainda tá olhando pra mim, tá vendo o que eu tô sentindo e o quanto eu ainda te amo.
A morte não é justa. E tudo o que a gente tinha pra viver um do lado do outro? Tudo que a gente ainda tinha pra brigar, pra pirraçar, pra brincar? Sabe, eu olhei pra você deitado ali naquele caixão e de alguma maneira eu senti que não era você ali. Eram suas mãos, seu rosto, sua pele, mas não era você. Você sorriria e me daria um abraço. Diria que eu tô gordinha e tenho que malhar. Ia criticar meu cabelo e meu jeito de falar, mas depois ia dizer que eu tava linda. Não, não era você. Tá doendo tanto, nego. Tá doendo muito ler nossas conversas e não poder mais falar com você. Olhar pro bichinho que você me deu e saber que ele nunca mais vai ter seu cheiro. Lembrar da alegria que sua presença trazia e não poder mais te sentir. Eu fui na sua casa ontem, sabia? Mas ela não tem graça nenhuma sem você. Pelo contrário, tava tudo muito triste. Tudo no mesmo lugar... O sofá, a mesinha, as fotos, o tapete. Mas e você, tava onde? Eu não aguento mais ficar chorando aqui, feio. Eu fecho os olhos e penso em você, o tempo todo. Fecho os olhos e consigo ver seu sorriso, ouvir sua gargalhada. Eu lembro de tudo o que você me disse um dia e parece que nada mais faz sentido. As nossas conversas eram tão boas, nossos planos eram tão puros. A gente tinha um sentimento tão bonito um pelo outro. Era tão bom ficar escutando suas histórias, as coisas que você imaginava... Eu tô triste como nunca estive. Você deixou algo em mim que não tô conseguindo carregar. O tempo tá passando e a cada hora eu tenho mais vontade de ter você de novo aqui. Eu tenho mais vontade de voltar no tempo e fazer tudo de um jeito melhor. Há cinco anos eu tava na escada do colégio chorando porque não ia te ver todo dia. Mas eu te ligava e você me procurava. A gente ia fazer compras no supermercado. Ia conversar lá perto da salinha que você foi trabalhar. Você aparecia nos lugares que nem queria ir, só pra me ver. A gente ficava junto da maneira que podia. E agora? Como eu faço pra dizer que tô com saudades? Pra dizer que tenho orgulho de você, que te admiro, que você foi uma das pessoas mais importantes da minha vida? Você sabia disso, eu sei que sabia. Mas dói muito saber que agora você não me ama mais, que não tenho mais você. Que alguém tirou de você a vida e tirou de mim uma alegria certa, uma amizade única, uma história linda. Não é justo, dadin. Você disse que ia cuidar de mim. Disse que era pra eu não chorar. Disse que ia ficar do meu lado. Eu trocaria tanta coisa pra poder te ver cumprindo isso que você prometeu. Pra ver você realizar os sonhos que me contava que tinha. Pra ver acontecendo tudo o que você imaginava pra sua vida. Eu queria tanto te ver envelhecer, ver as coisas loucas, boas, certas e erradas que você ia fazer. Eu sei que você não queria ir embora agora, eu sei. Você gostava de viver. Você era folgado, orgulhoso e pirracento, mas conquistou um monte de gente. Você era uma pessoa boa, eu sei que era. Você disse que eu te conhecia mais do que você mesmo, lembra? Por isso eu sei que não era pra ser assim. Ir embora não tava nos seus planos, não tava. E eu quero você de volta. Volta, volta, volta!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Mais um pra gente


Eu falo que te amo, você diz que me ama, e quase chego ao ponto de disputar internamente quem ama mais quem. E, no final das contas, não chego a nenhuma conclusão. A gente se gosta do nosso jeito diferente, mas acredito que igualmente verdadeiro. Sei que independente dessas e outras bobagens que a gente insiste em pensar, o amor existe de alguma forma, e não é difícil perceber. Ele aparece quando a gente tá feliz junto, rindo um do outro e fazendo nossa bagunça. Aparece quando um critica o outro dando algum apelido ou nome de bicho, quando a gente finge que tá grilado só pra fazer cara feia ou escreve algum recado bonitinho um pro outro. A gente sabe que o sentimento existe nessas coisinhas alegres e pequenas que, a longo prazo, significam muito. Mas o amor transborda é quando vai tudo muito mal. Quando um dos dois tá triste, com raiva ou incomodado com alguma coisa e o outro se faz presente com o maior zelo e cuidado que alguém poderia mostrar ter. E protege, anima, faz gracinha, só pra arrancar um sorriso sincero da pessoa que a gente gosta. E a gente tenta se ajudar quando o problema vem de fora e se acertar quando o problema é com a gente, do nosso jeitinho, pra não deixar que coisas pequenas estraguem algo grande. Só quem ama de verdade sabe renunciar o orgulho pra ficar junto, em paz.
Quando a gente pensa que tá difícil demais, alguma coisa lá no fundo diz que nada vai ser forte o bastante pra afastar duas pessoas que querem ficar juntas. Não tô falando da eternidade, porque sei que a gente não manda no tempo e o destino é coisa desconhecida. Mas meu bem, sempre haverá um jeito bom de lembrar de você. Porque foi quando tudo tava desabando que você ficou do meu lado, cumprindo as promessas mudas que tinha feito de estar aqui em todos os momentos. Aí sim dá pra ver quem é que gosta da gente. A gente vê o cuidado de verdade, a proteção e preocupação sinceras, e não aquilo que todo mundo diz ou escreve que sente. 
Acho que poucas pessoas no mundo têm a sorte de encontrar alguém em quem possam confiar. Que te apoie mesmo não concordando com você, que te faça rir mesmo quando você chora. Que diz que te ama mesmo quando você é chata, esquisita, tá feia ou acabou de acordar. Alguém que você tem certeza que não vai te fazer mal, porque existe respeito, carinho, lealdade. Nada imposto. Tudo conquistado. Alguma coisa que não dá pra explicar em letrinhas. Você diz que me ama e ainda sinto meu coração bater mais forte, mesmo depois de quase um ano desde a primeira vez que te ouvir dizer isso. Porque tenho certeza que encontrei a melhor pessoa do mundo pra ficar comigo e, quando penso nisso, sinto um conforto muito grande por dentro. Que às vezes vira algum texto como esse, pra dizer, entre outras coisas, que acordar de manhã é bem mais fácil quando a gente sabe que tem alguém pra deixar tudo mais leve, mais feliz e mais bonito na vida da gente.
Eu não sei nada do futuro, mas espero que ele guarde alguma coisa boa pra gente. Assim como já passamos por algumas situações difíceis e continuamos juntos, espero que nada abale a base forte dessa relação boa que a gente tem. Já ouvi dizer que "a amizade é uma alma com dois corpos". Vai ver por isso às vezes parece que estamos ligados um no outro. Nossa amizade nunca deixou de existir por causa do nosso relacionamento "sério". E enquanto eu escrevo esse monte de coisa repetida meu olho enche d'água, porque não sei como seria sem você. Não sei como seria minha manhã sem o seu bom dia, nem meu sono sem a boa noite que você me deseja todos os dias. Já parei pra pensar em como a vida pode ser imprevisível. E tudo que eu mais quero é que você sempre consiga lembrar de mim como uma fase boa da sua vida, independente de como ela termine (e que se deixe claro que não espero que termine tão cedo!).
De qualquer forma, desejo que o tempo nos aproxime cada vez mais e que a gente fique perto não só de corpo, mas de coração. Que o meu primeiro pensamento do dia continue sendo você. Que a conversa continue sendo boa, apesar do sono. Que o passeio continue divertido, mesmo se o lugar e a comida estiverem repetidos. Que a vontade de te amar permaneça sempre e que a alegria de estar junto nunca vá embora. Desejo que você continue sendo o melhor amigo que eu poderia ter, antes de qualquer outra coisa. Que o tempo nos dê experiência pra saber lidar com as coisas, mas que não tire de nós a vontade da conquista diária e o brilho que o início da paixão tem. Que eu possa continuar tentando explicar o quanto amo você e desejo que você seja muito, muito feliz. Que eu possa te escrever mais centenas de texto comemorando mais um mês juntos, como agora. Feliz dia de nós dois, amor!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Quando a insegurança bate à porta


Não foi preciso de mais do que um desenho para despertar um sentimento que nunca havia experimentado desde então. Abriu o caderno do namorado e viu desenhado o nome de qualquer menina. Nome esquisito que, pelo fato de estar ali, não foi reparado pela feiura e sim pelo lugar onde estava. Tantas listas de chamada, portas de banheiro e carteiras de sala de aula para ser escrito, mas a vaca resolveu assinar o nome logo ali, no caderno do namorado de alguém que já não gostava dela. Pior, na mesma folha em que o próprio quis desenhar o nome terrível. Por que, meu Deus? Por que? 
A paranoia invade a cabeça da gente, meras mortais portadoras do cromossomo x. A coisa se agrava se o cara não explica de onde vem aquele nome e por que foi parar ali. Simplesmente desconversa. Sherlloma. Impossível alguém escrever esse nome porque achou bonito, muito menos porque queria escrever qualquer um. Porra, não dava pra ser Maria? Clotilde, Sebastiana? Sherlloma é sacanagem! Podia ter desenhado uma girafa, um camelo, um boi. Mas não, desenhou o nome da vaquinha. Daí a gente pergunta calmamente o que é aquilo e o cara diz que é sobre a matéria. Não, é demais pra mim. Ele podia ter inventado qualquer desculpa, menos descartar o óbvio. Ok, a gente releva porque somos moças educadas, não fazemos barraco, não damos ataques de ciúme e não queremos parecer histéricas. A gente xinga mentalmente, nada mais que isso. Fica esperando qualquer explicação, silenciosamente. E o que acontece? Nada. Nada acontece. A explicação não vem, você finge que esquece e tudo bem. Mas não tá tudo bem. Aquilo fica na sua cabeça e não sai nem com banho de arruda. E a imaginação da gente é forte, produz mil histórias.
Daí a gente volta pro mundo real e percebe: estou surtando. O cara é ótimo, super atencioso, carinhoso e bacana com você. Faz tudo pra te ver, fica do seu lado quando você tá mal, te faz rir e mostra que gosta de você como pode. Essa é a hora de deixar de lado a imaginação. Pensar direito e reparar o todo, não os fatos isolados. Afinal, apaixonar-se é isso. É ter ciúme, é ter medo de perder. E daí mostrar isso às vezes? Melhor que, por orgulho, deixar a insegurança guardada e disfarçar emoções. A gente aceita as desculpas e segue em frente, porque quem quer ficar junto não pode destruir uma relação bonita por causa de um monte de fantasia arquitetada pela cabeça da gente. 
Depois de um dia inteiro remoendo a história e sofrendo pela falta de explicação, fui lá perguntar. Parecendo uma louca, falei na lata o que eu estava achando. Disse que foi péssimo ter ficado naquele clima e que, como uma ciumenta recém assumida, coloquei pra fora o que me incomodava tanto. Resultado: acabou tudo bem. Ele explicou, eu entendi. Nada de mais aconteceu. Quando a insegurança bate à porta, o melhor a fazer é valorizar a nossa relação e agir racionalmente. Avaliar se há confiança entre os dois, conservar a relação se houver e descartá-la se já não se confia um no outro. Quem se alimenta de desconfiança morre de fome. O ideal é estar ao lado de quem se confia, apesar do ciúme que às vezes acorda dentro da gente. Saber perdoar e saber amar, apesar das pedras e das vacas no caminho.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Let it go

A primeira coisa em que eu pensei quando quis escrever algo para ou por você, foi em de que eu te chamaria. Escolhi o "meu bem" de sempre, porque muita coisa permanece igual desde o dia em que eu passei a te chamar assim. O fato é que algumas coisas mudaram, também.
Preciso dizer que me sinto esgotada. Nos últimos tempos tenho usado toda a força que eu tenho para garantir que você esteja bem. Por muitas vezes relevei o que era essencial para mim por pensar mais em você. Por você passei por cima do orgulho, das lágrimas e das vontades bobas. Talvez tenha ignorado muitos dos planos que eu tinha pra mim e esquecido do que antes era prioridade. Mudei a ordem da velha lista, te coloquei no primeiro lugar da fila. Mas meu bem, tente por alguns minutos não me julgar ou deixar que seus sentimentos tomem conta dos seus pensamentos. Apenas leia: eu não posso mais continuar. Continuo a te chamar de meu bem por todas as coisas e momentos felizes que você me trouxe. Pelo bem, literal e intenso, que você me fez.
Não estou pregando o ponto final da nossa história por nada que você tenha me feito. E dessa vez, não vou implorar por compreensão. Não vou ter a pretensão de achar que vai tudo acabar em paz e sem dor. Mas espero, do fundo do meu coração, que o fim seja sem mágoas. Eu desejo apenas que você aceite e queira o meu bem, assim como eu quero o seu. E se possível, lembre de todas as coisas boas que vivemos juntos.
Fiz tudo o que achei que era certo. Fiz por você o que nunca fiz por ninguém. Quis cuidar de você como poucos quiseram cuidar de mim. E por isso, peço apenas que tenha por mim um sentimento bom. Aceito o que for. Gratidão, amizade, carinho. E se signifiquei algo pra você, peço também que você se cuide. Que siga em frente, como o homem que eu sei que você é, e não como um carinha desses que a gente acha em qualquer lugar. Quero muito olhar pra você um dia e ver que você ainda merece o respeito e a admiração que você conquistou durante o tempo que estivemos juntos.
Eu te agradeço muito por tudo que fez e foi por mim. Agradeço, principalmente, pelo amor que você me deu. Pela alegria que você trouxe, pela atenção e pelo cuidado. Saiba que estou terminando nosso namoro, mas não estou te deixando. Porque namoro a gente termina, mas companheirismo não. Se quiser ficar do meu lado, eu também quero ficar do seu. Não vou me iludir ao ponto de pensar que tudo pode voltar a ser como quando éramos só amigos. Mas não te quero como um estranho. Estamos apenas livres agora. Não é obrigação que a gente se suporte, converse, se goste. Mas vem comigo ver no que isso vai dar.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Quando tem chuva


Podia ser sempre assim: garoa caindo cedinho, um pouquinho de sol pro horário de almoço, tempo nublado durante a tarde e, por fim, noite chuvosa. Quando criança, morei numa casa em que, sempre que chovia, o barulho da água continuava nas calhas até mesmo depois que o temporal já tinha passado. Meu gosto por chuva é antigo, o barulhinho dela na janela sempre me encantou. Fazia chocolate quente, fugia pra debaixo do cobertor mesmo estando um pouco calor. Fingia estar na Inglaterra úmida, fria e chuvosa enquanto assistia a programação goiana da tv.
Normal a gente deixar um pouco de se divertir com as coisas simples quando a gente cresce. Hoje em dia, depois da primeira gota d'água já fico imaginando o que vai ser do meu cabelo e dos meus pés. Ameaço até a vida do namorado se ele insiste em ir ao parque logo quando está na cara que a chuva vai cair e estragar a chapinha. Mas vou. Vou porque, na verdade, o cabelo não importa tanto assim. Porque a companhia do passeio compensa o estrago no visual. Vou porque é divertido puxar ele pela mão e implorar pra que ele não empaque e ande mais rápido antes que a chuva chegue. E só quando tem chuva fico morrendo de medo de cair quando ele resolve me carregar passando pelo chão molhado. E sacode as árvores pra me molhar. E me faz pisar no matinho molhado só pra molhar meus pés. E fico brava. E ele ri de mim. Mas logo a gente esquece.
Quando tem chuva dá vontade de ficar juntinho, de não dar tchau. De ter uma casinha pequena e confortável só nossa pra esperar a chuva passar. E continuar lá. Hoje choveu e foi bonito. Agora não chove mais. Mas se o tempo virar, volta pra cá. Pra me dar a mão outra vez e ficar abraçadinho comigo, pro dia passar e a gente lembrar mais tarde. E a gente vai ter histórias de mil chuvas pra contar.

sábado, 11 de agosto de 2012

Te conheço?

Nunca gostei da ideia de ser algo passageiro na vida das pessoas. Ser a "antiga-conhecida", a amiga de antigamente. Pelo menos não na vida de quem eu considerava importante pra mim. Na verdade, essa ideia sempre me assustou um pouco porque, do meu jeito meio esquisito, tento sempre estar junto. Sou daquele tipo de gente que luta pra manter as pessoas por perto, sofre com a distância, não dá conta de levar pra prática a lei do desapego. Muitas vezes em vão, confesso. Já passei algumas vezes por aquelas fases de mudança que mexem completamente com a rotina da gente. Levam as pessoas pra outros lugares, te geram outras obrigações e te presenteiam com novos ares. E que tristeza isso pode ser! 
Não consigo fugir da obrigação de me sentir péssima ao encontrar um antigo amigo na rua e passar por ele como se nunca tivéssemos nos conhecido. Olhar pelo canto do olho, pensar  um monte de vezes em cumprimentar a pessoa e não conseguir. Ser freada pela falta de intimidade, pela incerteza do reconhecimento. E daí que vocês se viam todos os dias, compartilhavam o mesmo espaço e tudo mais? Já passou, você nem sabe mais quem aquela pessoa é, o que pensa de você e que lembranças tem do que viveram. Aliás, conheço poucas coisas tão desagradáveis quanto alguém me perguntar sobre uma pessoa e eu ter de explicar que se trata do meu "ex-melhor-amigo". Que não tenho mais seu telefone, não sei o que faz da vida nem tenho notícia alguma. Isso existe? Não é patético demais contar pra alguém que "a gente se via todos os dias, se ajudava no trabalho, estudava junto, era vizinho, brincava na mesma rua ou até morava na mesma casa MAS agora é como se nada disso tivesse acontecido"?
Não falo só de amizades ou amores sólidos e duradouros. Falo de qualquer relação que um dia foi boa e fez bem para as duas partes. Eu sei que muitas vezes alimentar-se de passado significa morrer de fome. Mas, nesse caso, custa muito trazer um pouquinho dele pro presente, nem que sejam as boas lembranças? Pode parecer (e até ser) frescura, carência, falta do que fazer, pode ser até romantismo. Mas em algum lugar do mundo deveria estar escrito que, pessoas que se gostaram um dia, lembrariam-se sempre disso. Pessoas que em algum momento da vida se amaram, lembrariam-se desse amor ao menos pra fazer dele uma amizade bonita. Ao menos por consideração, recordação, vontade de não se perderem. Ao menos para continuarem se conhecendo, apesar de todos os apesares.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Paz pra continuar

Não sei quantas vezes já deitei a cabeça no travesseiro enquanto a última coisa que eu sentia vontade de fazer era dormir. Mas foi em situações assim que eu melhor notei que a estabilidade de emoções e pensamentos nunca foi uma característica presente em mim. Sempre fui de fases. Às vezes tão impulsiva que me arrependia, às vezes tão racional que acabava por me arrepender também. Eu que sempre quis liberdade pra fazer minhas escolhas, me vi completamente presa pela minha própria confusão. Dá muito trabalho ser uma pessoa assumidamente inconstante.
Deus, já tive tantas dúvidas. Sobre caminhos a seguir, escolhas a fazer e, principalmente, pessoas a reposicionar na minha história. A parte mais difícil de ser confusa é meter pessoas na sua confusão. É só colocar um pouco de sentimento no meio e pronto, já se tem tudo o que é necessário pra fazer uma bagunça terrível. Em meio a tantos rumos que tive que tomar, ainda me pergunto se os caminhos que segui, e como segui, foram realmente corretos. Como todo ser humano que se preze, muitas vezes me pergunto: e se tivesse sido diferente? Apesar disso, sinto que tenho sido coerente com as escolhas que eu fiz pra mim. Tenho sido honesta com as responsabilidades que assumi. Às vezes dói olhar pra trás. Dói lembrar do que não tenho mais. Mas na vida é preciso saber renunciar algumas coisas e aqui estou eu, dando minha cara a tapa.
Talvez tudo dê certo, talvez não. Mas independente do resultado das decisões que eu tomei, eu vou sempre carregar comigo a certeza de que eu tentei tomar as atitudes mais maduras que consegui. Tentei fazer o melhor de mim para as pessoas que eu amava e pelas coisas que eu julgava ser importantes. Desisti só quando não me restou nenhuma outra opção. Decidi me afastar apenas quando a distância já causava menos dor do que a ausência dela. Fui sincera comigo mesma, jamais traí meu íntimo e o que eu achava que era certo. Sei lá, pra mim o nome disso é "tentar". Eu tentei. E vou continuar tentando.

domingo, 24 de junho de 2012

Sempre ao seu lado


Às vezes paro pra pensar e percebo que o tempo tem passado muito rápido desde o dia em que a gente se juntou de vez. Decidiu ficar assim, um do lado do outro, não importa o que aconteça. Tão rápido e mesmo assim eu consigo imaginar um monte de coisa pra gente. Porque não te quero só pra agora. Te quero pra muito tempo, mesmo sem saber o que o futuro tá guardando pra essa nossa história. Daí eu começo a pensar em um monte de coisa que eu nem sei se um dia vai acontecer.
Dá pra imaginar eu te acordando no meio da noite pra te dar um beijinho e dizer que você é meu nego lindo. Você vai ficar sem entender, mas vai saber que eu vou ser feliz por estar do seu lado. E de manhã eu vou te dar bom dia, com cara de sono e cabelo desarrumado. Daí a gente vai trabalhar e no final do dia a gente vai falar sobre tudo o que aconteceu. A gente vai sempre ter assunto e gostar de conversar um com o outro, porque desde sempre foi assim. Nos finais de semana a gente vai dormir até mais tarde. Mas eu acho que você vai acordar primeiro, porque sempre fui mais preguiçosa e gosto de dormir mais. Bem mais. Eu vou fazer o almoço pra gente e meu bife e minha galinhada vão ficar ótimos, porque eu quero sim aprender a cozinhar algum dia. Até quiabo. E eu acho que enquanto eu estiver fazendo qualquer coisa eu vou pensar que a casa tá caindo quando você colocar o som no máximo e as paredes começarem a tremer. Eu vou continuar gostando sem querer das suas músicas porque elas são bobas, mas são engraçadas e bregas como você. A gente vai dormir juntinho numa casinha que vai ser sempre nossa. Eu vou poder deitar no seu peito e você vai sempre poder colocar as mãos debaixo da minha cabeça pra fazer eu me apaixonar mais ainda por você. A gente vai jogar video game e jogar bola, mas só se você me deixar ver minha novela. A gente vai no estádio ver o jogo do Vila e vai no cinema, mas só se você tirar foto comigo. E tomara que o sábado a noite continue sendo nosso, mesmo depois de isso se tornar comum e a gente tiver experimentado todos os tipos de batatinha e cerveja do mundo. E quando algo chato acontecer você vai ficar calado e eu vou perceber. Mas depois você vai me contar e a gente não vai brigar, porque a gente prometeu que vai ser sempre assim. Eu vou fazer parte da sua família e você da minha, mas tomara que um dia a gente tenha a nossa, com uma dezena de listradinhos. Daí além de te dividir com seus primos, eu vou te dividir com nossos filhos. Mas a gente vai continuar rindo um do outro e a sua companhia ainda vai ser a minha preferida. Eu vou te lembrar todos os dias do quanto eu te amo e do quanto você me faz feliz. E eu vou fazer tudo o que eu puder pra te fazer feliz também.
Eu sei que talvez nada disso aconteça. Pode até ser brega demais ficar planejando tanta coisa assim tão cedo. Mas de qualquer forma você vai saber que um dia eu desejei isso pra gente. A gente tá começando a vida agora e ainda tem um monte de coisa por acontecer. Mas talvez no final da história a gente ainda fique junto. Talvez eu ainda esteja do seu lado quando você completar os cinquenta anos que você achou que não completaria. E a gente há de ser feliz.
Eu não sei qual é o nome disso que a gente sente um pelo outro, e também não preciso saber. Eu também não sei se a gente vai ter a habilidade necessária pra cultivar isso por cinco meses ou cinco décadas. Mas o que eu sei é que você tem me feito feliz. Você tem sido tudo que eu preciso pra estar em paz. Que seja pra sempre assim, bonito e sincero.

terça-feira, 19 de junho de 2012

É pra vida toda!

Dezoito anos é uma idade sonhada por quase todo mundo. A gente passa dezessete anos e tantos meses sonhando com a liberdade e a independência da maioridade. A gente pensa nas baladas, nos bares, na carta de habilitação, no carro, na faculdade, nas viagens e... chega um infeliz dizendo que só o que os dezoito anos trazem é responsabilidade. Que agora pode ser preso, que é um adulto, que vai ter que trabalhar, responder por si, arcar com as consequências das próprias atitudes e, enfim, ser uma pessoa de dezoito anos, seja isso grande coisa ou não.
Isabella Cristina, chegou a sua vez. Eu sei que passou rápido, que você olha pra trás e nem acredita que tanto tempo já se passou. E durante esses dezoito anos você já chorou, já sofreu, já caiu. Mas você levantou. Aprendeu, sorriu e teve coragem pra seguir em frente. Foi uma filha maravilhosa, uma neta carinhosa, uma namorada linda (Tchuco tá de prova, rs) e uma amiga PERFEITA! Eu fico muito feliz por ter estado ao seu lado já durante cinco aniversários. Eu tenho visto seu crescimento e sua melhora como pessoa. Vi a menina virar mulher, com o sorriso mais bonito do mundo no rosto e uma alegria de viver que eu nunca vi igual.
Você foi um presente lindo que Deus me mandou, pra sorrir comigo, pra ficar do meu lado e pra me apoiar nas tantas vezes que meu mundo parecia estar desabando e você me ajudou a continuar. Você sempre foi presente, mesmo quando não podia. Foi amiga apesar de tudo. E por isso eu só posso te agradecer e tentar retribuir, do meu jeitinho meio torto mas muito sincero. Eu nunca vou esquecer do bem que você me fez, irmãzinha.
Eu espero do fundo do meu coração que você seja sempre muito feliz. Você merece tudo o que há de melhor dessa vida, pelo seu caráter, pela sua história e por ser quem você é. Te desejo muitas felicidades, sucesso, saúde, amor e espero estar ao seu lado pelos próximos noventa aniversários, no mínimo! Te amo, minha princesa!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O amor da minha vida

É incrível como há tantas pessoas por aí a procura de amor. Não só de amor, mas do que chamam de "o amor da minha vida". Aquela coisa de serem feitos um para o outro, outra metade da laranja, destinos traçados na maternidade e todo aquele romantismo que poucas vezes vi dar certo. Pois é, é isso mesmo. Sou muito pouco romântica em relação a isso. Depois de alguns anos, desacreditei dessa historinha toda. Por que? Porque na minha humilde e autêntica opinião, o amor da minha vida é aquela pessoa com quem eu construí uma relação sólida e feliz aos poucos. É a pessoa que caminha ao meu lado e me ajuda a manter a harmonia de um relacionamento que nasceu e cresceu por nossos próprios méritos e não porque "estava escrito nas estrelas". É quem faz por onde, quem está ao meu lado aconteça o que acontecer e faz cada dia valer a pena. Não tem nada a ver com a eternidade, mas com a felicidade plantada e regada diariamente. O amor da sua vida pode ser qualquer pessoa, desde que haja amor e outras coisas essenciais, porque amor não é tudo. Não acredito que há uma pessoa feita especialmente pra outra. Há simplesmente uma pessoa que vai fazer o que for preciso pra estar com quem ela gosta. Vai cuidar, vai dar carinho, vai respeitar, vai amar. 
O amor da minha vida eu encontrei. É de carne e osso, fica bravo, é ciumento, pirracento e apelão. Mas é pra mim a melhor pessoa que eu conheço e o melhor homem do mundo. Tem defeitos, porque ter defeitos é tão indispensável quanto ter qualidades. Ele é o amor da minha vida porque faz nascer em mim todos os dias um amor puro e sincero. É o amor da minha vida não porque o destino quis, mas porque nós queremos.

Apesar da discórdia

"A verdade, porém, é que eram ambos loucos, um pelo outro, e seus corações acabavam por se entender, num ritmo comum de compreensão."

Há algo misteriosamente comum nas desavenças de casais. Recém formados ou não. Relacionamento não é roteiro pronto. As pessoas se desentendem e isso é normal. Duas pessoas diferentes se encontram, revelam seus pensamentos, rotinas e raízes uma para a outra. Veem de lugares diversos, viveram vidas diferentes, cada uma com seu jeito de ver o mundo. E então resolvem juntar todas essas diferenças, colocá-las num pote e misturar o que há de mais oposto na existência de cada um. Um dorme às dez, outro quer ir pra cama quando o sol já tá nascendo. Um quer galinhada, outro feijoada. Um é ciumento, outro é orgulhoso. Há diferenças que são como água e óleo: imiscíveis. E ao tentar colocá-las lado a lado nasce um resultado nem sempre perfeito.
Mas o que significa "ritmo comum de compreensão"? Acredito que se duas pessoas se gostam de verdade, elas vão fazer de tudo pra entrarem em sintonia. Vão mexer seus pauzinhos pra fazer a relação dar certo, apesar de todas as diferenças. Fazer renúncias não é fácil. Deixar de lado o orgulho, as manias, o egoísmo e o mau humor às vezes custa muito. E por isso acredito que chega uma hora em que qualquer união dá uma sacudida. E é nesse momento que a gente deve se fechar pra balanço, dar uma analisada nas próprias atitudes e posições. Mudar se for preciso, continuar se valer a pena. Estudar para preencher as lacunas da ignorância, refletir para não confundir as prioridades. E estar em paz. Porque apenas o que é verdadeiro fica de pé. Apenas o que é pra ser sobrevive.
Muito fácil fingir que tá tudo lindo e fechar o olho para o que tá errado. Fazer de conta que tem uma relação perfeita enquanto intimamente se está magoado. A preguiça de conversar pode ser o pior mal pra uma boa convivência. A pirraça, idem. Fazer charminho nem sempre é o melhor jeito pra se conseguir o que quer. Tá incomodado? Reclama. Tá se sentindo manipulado? Conversa. Tá tudo uma merda? Resolve. 
Sempre achei impossível ler qualquer coisa escrita por Chico e não parar, por um minuto que fosse, pra refletir sobre as palavras desse homem brilhante. "...eram ambos loucos, um pelo outro, e seus corações acabavam por se entender..." E talvez seja realmente isso. Quando duas pessoas se amam seus corações se entendem, e isso ultrapassa barreiras, derruba muros. Se duas pessoas querem realmente algo, elas vão atrás. Ser louco por alguém significa exatamente isso: fazer o possível e o impossível pra estar junto. Simples assim.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Terceirão ♥


Não sei quantas vezes acordei antes das seis da manhã pensando: não aguento mais essa vida de estudante. Depois de anos e anos de uma carreira escolar não muito brilhante mas com certeza cansativa, o terceiro ano do ensino médio me parecia a última etapa de todo aquele grande período de sofrimento. 
Acordar de madrugada no horário de verão, ir pro colégio com a cara amassada, esquecer a carteirinha, morrer de sono durante as aulas chatas, passar a manhã de sábado estudando pra prova a tarde, fazer as continhas pra ver quanto precisava tirar na próxima prova pra compensar o fracasso da primeira, paralela no domingo e ainda um vestibular no final do ano... Enfim, parecia ser o cúmulo da pressão, um sofrimento eterno. 
Mas quer saber? Não foi. Agora que já passou, olho pra trás e vejo que não era exatamente sofrimento, e muito menos eterno. Pelo contrário, passou voando. E apesar de toda a preguiça e cansaço, não existia compensação maior pra isso do que chegar no colégio e ver aquelas pessoas que te faziam rir a manhã inteira na mesma situação que você. Olhar pra cara do seu amigo e ver que ele estava com mais sono ainda, então tudo bem aqueles cinquenta minutos eternos de primeira aula chata. No final das contas, toda aquela pressão se disfarçava com a diversão que a gente tinha. Era rotina dura e cansativa, mas era em boa companhia. E que falta eu sinto disso. Das piadinhas fora de hora, das gracinhas dos professores, dos bilhetinhos passando, da cópia desesperada de tarefas. 
É, faz falta. A gente consegue preservar alguns amigos, manter alguns contatos, mas nada se compara a convivência diária, o abraço de todo dia, a leveza da parceria rotineira. É meio triste essa fase de gente indo embora. Tudo vira nostalgia pura. Mas o momento de deixarmos ir sempre chega, não há como fugir - clichê do destino. O tempo passou, algumas amizades também têm passado. Mas a saudade e as boas lembranças ficam. Vocês foram os melhores!  



terça-feira, 22 de maio de 2012

Louco por você


Ele pode ser um super-homem ou um anjinho a qualquer instante, basta  você falar do que tá precisando naquele exato momento. Ele te enche de presente, dá carinho, atenção, respeito. Oferece colo, paletó, afeto e gentileza. Manda mensagem no meio da tarde, liga pra dar boa noite, te acha a mais foda e a mais bonita de todas as mulheres que já conheceu. Presta atenção na mais simples variação de humor que você tem e sabe exatamente quando algo de errado está acontecendo, até porque não tira os olhos de você. Só falta te seguir e te monitorar 24 horas por dia pra saber o que se passa na sua vida e quais são suas necessidades e desejos e problemas. Te olha com admiração estampada no rosto, de um jeito que você nunca imaginou que seria vista. Perfeito, caso perfeição fosse do que mulheres gostam. 
Sim, às vezes dá uma vontade danada de correr para o abraço dele e dizer que sonhou com isso sua vida inteira e era exatamente de alguém como ele que você queria e precisava. Dá vontade de dizer que, o que toda mulher quer num cara, ele tem. O que não seria mentira caso você fizesse parte do grupo "todas as mulheres" ( e nessa hora vem aquela sensação de que você é uma extraterrestre e tá desperdiçando uma oportunidade que ninguém dispensaria). 
No começo, é tudo ótimo. Você se sente gostada, valorizada, trinta vezes mais mulher. Porque é diferente de ter qualquer bosta te ligando a noite porque tá doido pra fazer sexo com você e só. É bom perceber carinho sem segundas intenções - seja lá de onde ele vier. Nos dias que bate aquela carência irremediável então, ele se torna exemplo vivo de que pra tudo na vida se tem remédio: se não pra curar, pra aliviar.
Porém, quando tudo é lindo demais pra o outro lado enquanto pra você é só bonitinho, não demora muito pra algo dar errado. Porque o que sobra nele, falta em você: interesse. Daqueles de verdade, sabe? Do tipo que te faz sentir um friozinho na barriga e passar o dia se flagrando interessada demais. Você percebe que, diferente do que acontece quando alguém te chama a atenção, aquele cara, por mais ideal que seja, não é o que você quer.
Então deitada na cama no meio da madrugada você se pergunta: por que diabos eu não posso gostar de alguém assim, que gosta de mim? Você se pega pensando no que vai dizer pra ele agora que tá enjoada de ser tratada como uma abelha-rainha e se sente horrível por isso. Como vai explicar que ele é um cara legal, faz tudo por você, nunca te magoa, é amigo, é perfeito MAS não vai rolar?
A única conclusão certa e inquestionável é que, um homem assim, merece respeito. Porque ser louco por alguém e conseguir manter o equilíbrio não é fácil. Fingir paciência e compreensão, menos ainda. Um homem assim merece admiração, sinceridade e gratidão, simplesmente por ser um homem de verdade.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Its not over tonight

Andei reparando que penso em você quase o tempo todo. Tanto que nem tenho tido muito tempo pra escrever. Depois de pensar um pouco, cheguei a conclusão de que eu gasto tanto tempo vivendo coisas boas contigo, que o tempo que me sobra é muito pouco pra colocar tudo em palavras. É a história feliz mais real que eu já vivi.
Quando paro pra tentar olhar a minha vida pelo lado de fora, vejo que ela tem andado cada vez mais ao lado da sua. E é nas pequenas coisas que eu percebo o quanto você já faz parte de mim. Você tá na minha rotina, nas músicas que eu ouço, nas pessoas que eu vejo na rua. Tá na minha personalidade, no meu jeito de olhar as coisas, na minha vontade de viver. Tudo é você, entende? Quando eu tô em casa fazendo minhas coisinhas, quando eu tô conversando com alguém sobre um assunto que a gente já conversou, quando eu coloco um short mais curto que o normal... É você que tá na minha cabeça. Dá quase pra ouvir sua voz falando "vou te dar um calção decente".
Esses dias encontrei por acaso uma foto nossa do tempo de colégio. E aí eu pensei em como seria se a gente tivesse se encontrado antes. Se encontrado de verdade, sabe? A impressão que eu tenho é que o futuro pode não ser tempo suficiente pra ficar com você. Como se qualquer coisa pudesse acontecer e a gente não pudesse se ter mais. Tá, eu sei que é pra eu parar de pensar bobagem e etc. Mas eu só tô tentando te explicar que seria bom se eu tivesse te encontrado antes. Eu adoraria que você tivesse feito parte do meu passado. Com certeza ele teria sido, no mínimo, muito mais divertido.
Mas deixando o passado e o futuro pra lá, quero te falar que no meu presente você tem feito uma enorme diferença. Eu já te disse que você é o melhor homem que já passou pela minha vida? E já disse também que a sua companhia é a melhor do mundo? Pois é, você é muito mais do que eu consigo explicar.
E tudo isso me leva a crer que eu te amo. Eu te amo perto, te amo longe, saudável e doentinho. Te amo cheiroso, fedido, feliz e triste. Te amo engraçado, te amo bravinho, te amo folgado e te amo gente boa. Eu sei que a gente tá começando a nossa história agora. Sei também que as coisas mudam. Mas tá sendo amor. E vai continuar sendo amor até o dia que a gente não se amar mais. 
Se eu pudesse fazer um pedido pra quando esse amor acabasse, seria: fica. Fica, mesmo se o que você sente for embora. Assim como eu quero muito ficar. Porque no dia em que não existir mais amor, nossa amizade vai ser a minha alegria. Assim como você vai ser eternamente meu primeiro namorado, eu espero que seja também meu melhor amigo. Exatamente como tem sido.

domingo, 13 de maio de 2012

Deixar partir


É engraçado como o verdadeiro valor das coisas realmente só percebemos quando estamos situados à beira da perda. O amarelo torna-se ouro, a amizade torna-se tesouro , o tempo torna-se tudo. Para alguém inconstante e intensa como eu, o tempo é um verdadeiro problema. Um demônio da consciência.
Quando eu quero, quero. Ponto final. Vou atrás, sou manhosa, afetuosa, busco dar o melhor de mim. Quando deixo de querer, sumo. Não quero conversa nem relacionamento estreito. Nada de afeto exagerado. Nada de muitas cortesias. Sem meio termo. Um defeito horrível e sem conserto. Controlo o que falo, controlo o que faço. Posso controlar até o que transmito. Mas o que eu sinto está além do alcance das minhas mãos. Não há mentira, não há disfarce. Só o medo de causar feridas. Afinal, ninguém é obrigado a estar em sintonia com minha situação.Mas durante todas as fases, acompanhando todos os momentos, está o tempo. O perverso não espera. Não liga para o humor, não liga para as necessidades, não liga para os problemas e muito menos para a saudade. Lá está ele, frio e impetuoso. Precipitado mais que eu. E antes que se possa notar, ele leva o que temos no auge de seu valor. É quando ele se mostra mais intenso do que meu coração, mais violento que minhas perturbações.Hoje, a vida está levando embora alguém especial. Um amigo, dos bons. E o tempo acelerando cada vez mais a partida. A despedida chega, os pensamentos também. Quanto tempo eu perdi com essa mania de intensidade e inconstâncias? E, apesar de tudo, lá estava meu bom amigo. Às vezes distante, às vezes ausente. A maioria do tempo presente. Porque presença não existe só de corpo. A presença está na alma, nos pensamentos, nas lembranças, no coração. E mesmo que não haja o toque, há o carinho. Mesmo que não haja o abraço, há o amor. O amor que existe além da distância, além da saudade, além do tempo. Na hora da despedida, não há solução para a o espaço vazio que fica. Mesmo que se disfarce o aperto no peito, mesmo que se segure as lágrimas que estão para cair, mesmo que se ignore o que há pra dizer ou o que foi dito, a hora chega. A hora de dizer adeus. 'Até mais', 'Nos vemos em breve', 'Me liga', 'Nada vai mudar'... São inúmeras as formas de se criar eufemismos para a perda que será sentida. No final das contas, sabemos que nada nos confortará. Abraços apertados e beijos de última hora não compensam o tempo que passou. Promessas de retorno não disfarçam a falta que em breve virá. Mas é tudo o que foi criado para esse momento, o de deixarmos ir. Soltarmos, deixamos partir e seguir.
“E a porta se fecha, o avião decola, o carro parte, os passos precisam ser dados. Entendemos. É a vida. Que segue. Nos vemos em breve.”Estarei te esperando. Senão aqui, em algum lugar. Mas no meu coração você vai ficar. Meu eterno amigo, boa sorte, vou torcer por você. E de alguma forma, sei que estarei contigo.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Vício de sofrer


Já reparei muitas vezes o dom que algumas pessoas têm pra atrair gente ruim. Aquela gentinha que no fundo você sabe que não vale nada e, ainda assim, insiste em colocar na sua vida. Aquele cara que você sabe que não gosta de ninguém, vai te fazer sofrer e só quer saber de pegar todas, mas que tem alguma coisa de que você gosta e te dá uma moralzinha de vez em quando. Aquela menina que escolhe namorados pela conta bancária, é fútil e sem noção, mas é bonitinha  e na sua visão é melhor do que ficar sozinho. Aquele amigo que só tá com você na hora da balada, aquela amiga que só te deixa pra baixo. Você pode simplesmente escolher se afastar. Mas não, você acha que nasceu com vocação pra ser pisado. Abre mão de uma solidão feliz por uma companhia mais ou menos. Pura carência.
O ditado sempre esteve certo: antes só do que mal acompanhado. A melhor coisa que pode acontecer a uma pessoa é dispensar o excesso de amizades e trocá-lo por poucos e bons amigos. Trocar o homem ou a mulher que te atrai por alguém que te faz realmente bem e que goste de você da maneira que você é. Depois que a gente resolve dar o pé na bunda final em quem nos faz mal, muita coisa muda. Em alguma hora, é necessário perceber que a verdadeira felicidade vem de dentro de você. Ninguém pode te fazer feliz de maneira plena. E aliás, quem coloca nas mãos de outra pessoa a responsabilidade pela sua própria felicidade, merece mesmo passar por umas decepções pra aprender a viver. 
Felicidade é coisa íntima, pessoal. Questão de autonomia, amor próprio, sabe? Não tem nada de egoísta em pensar em si mesmo primeiro e correr atrás de ser feliz. Olhar para trás e reconhecer, com orgulho, as escolhas que fez, as pessoas que deixou, os caminhos que trilhou, as palavras que disse, os abraços que deu, as decisões que tomou. Acho que quando a gente se aceita, a gente muda pra melhor. Autenticidade gera felicidade, é a minha opinião. Seja bondoso com você.
Tem muita garota por aí se rastejando por qualquer mísera promessa de felicidade feita por um completo idiota. Assim como tem muito cara legal dando o mundo por uma biscatezinha sem noção. Chega uma hora na vida da gente que é preciso deixar o vício de ser mal tratado e correr atrás da felicidade de verdade, querer estar junto de quem te quer e te faz bem. Esse negócio de ficar sendo pisado a toa é pura babaquice. Como diria Caetano, "pra não chorar eu só vou gostar de quem gosta de mim"!

terça-feira, 8 de maio de 2012

nego ♥

Eu gosto da leveza disso que a gente tem. Gosto porque primeiro me apaixonei pela sua amizade e, então, pelo homem que você é. Gosto porque nossa conexão foi de alma, coração e corpo. Justamente nessa ordem. O desejo, foi mais além. Primeiro eu quis sua companhia, seu bom humor, sua proteção. Só então nasceu a vontade do seu abraço, seu beijo, sua mão na minha. Uma necessidade de você comigo, em qualquer hora, de qualquer jeito e em qualquer lugar. Estar do seu lado, olhar nos seus olhos e rir com e de você, me faz feliz demais. E hoje, tudo o que eu quero é te fazer feliz como você me faz.

Manifesto contra o feminismo exagerado


Foi no ano de 1968 que o Movimento Feminista revolucionou o mundo em proporções nunca antes imaginadas. É claro que o feminismo não surgiu em 68. Mulheres de épocas anteriores já lutavam contra a dominação masculina e toda a submissão imposta a elas por uma desigualdade de gêneros fundamentalmente cultural. Mas foi no dia sete de setembro de 1968, no protesto conhecido como "Bra-Burning" - "A queima dos sutiãs, em português - que as mulheres conseguiram fazer barulho suficiente para serem ouvidas. E agora, faço a pergunta que me intriga: quem foi a primeira incendiária a ter essa ideia infeliz?
Deixando de lado o exagero das piadinhas como "preferia estar em casa fazendo comida", esse feminismo todo propagado não significou propriamente a luta pela igualdade de direitos. O feminino sofreu um abalo danado com o radicalismo das feministas. E ainda reclamam que os homens de hoje em dia não sabem mais qual é seu papel no mundo. Ora, as mulheres também não!
Essas feministas modernas não querem mais ter filhos porque isso atrapalharia sua carreira profissional. Não acham importante fazer um jantar legal para o marido porque cozinhar é coisa de escrava doméstica. E sabe o que é irônico nisso tudo? É que na hora da TPM e da cólica os homens têm de entender. E dividir a conta do motel a mocinha também não quer. Espancar o cara porque ele tava com outra pode, mas se ele revidar, dá-lhe Maria da Penha.
Essa fixação exagerada pela independência e igualdade já foi longe demais. Homens e mulheres são diferentes, sim! Físico, psicológico e emocionalmente. Não há nada de errado com os homens que abrem a porta do carro, pagam a conta e descem a escada na frente. Mulheres seguras, além de poderem pagar o jantar, terem aprendido a abrir a porta e usar o corrimão, sabem também que não são inferiores por aceitarem pequenas gentilezas. Com moderação, obviamente. Até porque, em algum momento, deve-se mostrar quem é o homem da relação - e deixá-lo se portar como tal.
Sendo assim, assina este manifesto uma mulher que sabe quem é e reivindica um pouco mais de elegância e delicadeza daquelas que são - ou pelo menos deveriam ser - doces e femininas por natureza.

Tudo uma questão de bom senso


Eis o assunto da grande polêmica: "Mulher gosta é de ser maltratada!" Tá aí. Quem nunca ouviu essa frase? Isso se você já não tiver sido o aspirante a sábio que a declarou com toda a convicção possível de um mero mortal. Acho super interessante ouvir as inúmeras teorias dos amigos. - Uns falam que mulheres gostam do que não têm. Outros têm certeza de que pra ganhar o amor de uma mulher, é necessário pisar bastante nela, ser indiferente, ignorar. Bem, para me livrar de uma total decepção, há os que entendem que, pra toda essa discussão, só existe solução no meio termo das opiniões extremistas:  nem frescura demais, nem estupidez.
Não, amigo. Mulher NÃO gosta de ser maltratada. Repare que eu disse "mulher", e não "adolescente imatura de doze anos (ou mais)". Mas você, como HOMEM, e não como qualquer moleque inexperiente e imaturo, deve saber que há uma diferença enorme entre maltratar e não encher o saco.
Quando você liga pra sua namorada/ficante trinta vezes por dia, fica perguntando o tempo inteiro onde e com quem ela está, você está sendo chato e inseguro. O resultado será um pé na bunda certeiro e definitivo. Mas ao invés de bancar o maníaco, você pode surpreende-la sendo um cara bem resolvido e não fazendo da rotina dela sua maior preocupação. Mulheres gostam de homens independentes psicologicamente.
Se você fica com a garota e depois disso resolve fingir que ela é invisível, você é um completo sem noção. Se você fica importunando a pobre coitada e se mostrando interessado demais, você perde a graça pra ela. Mas se você souber fazer o "charme" suficiente pra se tornar interessante, com certeza vai despertar a curiosidade do seu alvo.
Quando você briga com sua namorada e procura desesperadamente um lugar pra ir e fazer uma tonelada de merda (brigar com alguém, beber e ligar pra xingar a moça, se drogar e etc), você está sendo um cuzão. E se ligar chorando, fazendo draminha, contando os planos de um (im)possível suicídio ou qualquer coisa do gênero, está sendo um bundão, um bebezão, quase uma dama. O que é no mínimo vergonhoso caso você tenha mais de catorze anos. Não ligue, não pegue no pé, não sufoque. Deixe ela ter tempo de se preocupar com você e com o que você pensa, ao invés de obrigá-la a esquentar a cabeça imaginando qual será a merdinha que você vai fazer pra chamar a atenção.
O que realmente todo homem deveria saber é que, no final das contas, o que mais importa é ele saber ser realmente um homem. E homens são o que as mulheres procuram quando precisam de segurança. E se ele tiver uma cara e um jeito de "não ligo pra você", mas souber ser carinhoso nos momentos certos, excelente! 
Claro, ninguém é perfeito e não existe receita pra agradar todo mundo. Mas por favor, rapazes, tenham bom senso. O mundo anda precisando disso.

Perfume sem flores


Há quase dois meses minha mãe ganhou flores de presente no aniversário. Orquídeas brancas. Para falar a verdade, não entendo muito de flores. Mal sabia realmente como cuidaria dela, já que minha mãe nunca revelou aptidão para esse tipo de serviço. O fato é que a tal orquídea mudou minha rotina. Quando saía, ficava preocupada com a flor. Não pode ser regada muitas vezes, senão morre. Tenho uma irmã de sete anos e sei que criança adora afogar flores. Mandei deixar a flor por minha conta. "- Pode deixar que eu cuido dela.", falei com a certeza de que eu seria capaz. Acontece que, se não regar, a planta também morre.
Confesso, me preocupei. Olhar para o cantinho onde a flor havia sido colocada tornou-se mania. Ficou na cozinha - lugar estratégico. Depois que almoçava, lá ia conversar com a flor. Não intencionalmente. Ficava olhando as pétalas, folhas e, quando menos esperava, lá estava perguntando se a flor estava feliz. Dei até nome à ela: Tulipa. Eu queria um nome de flor, mas geralmente as pessoas não dão nome às flores. Então escolhi Tulipa, que acho um nome legal.No começo ela tinha um certo brilho, uma vida peculiar que exalava uma aura de simplicidade. Mas acho que não sou uma boa cuidadora de flores. A Tulipa não está muito bem. Tem murchado cada dia mais, perde o brilho e a rigidez. Rego, converso, já até coloquei comida lá - e nada. Como é difícil cuidar de uma vida, até quando são flores!
As coisas são mais ou menos assim para as pessoas. Às vezes abrimos mão da nossa tranquilidade em nome de um cuidado, um carinho. Mudamos nossos horários para atender as necessidades do outro, tentamos novas maneiras de agradar. Mas, às vezes, simplesmente não funciona. O carinho não é suficiente, o cuidado não é o correto, a necessidade não é suprida. A carência fica viva e não há mais muito o que fazer. Não adianta dar o que não se precisa. É preciso aprender!
Aprender que cuidar de alguém não é dar o que você acha que é ideal. É buscar saber o que é realmente necessário e o que é dispensável. É saber que carinho demais sufoca e de menos faz falta. Aprender que às vezes o que você tem não é o que o outro quer - cada um tem suas vontades, seus desejos, suas faltas. Mas, acima de tudo, aprender a cuidar de alguém implica aprender a cuidar de si. Saber que nem sempre é possível agradar, nem sempre é possível se entregar. Nessas horas, o melhor é aproveitar o perfume das flores que ainda há, porque assim como as flores murcham, as pessoas vão embora. Em você, o perfume que fica é a essência.

Desistir


Mas é que pensando bem, não sei se vale tanto a pena assim. Gostar de você mais do que de mim. Não vale a pena querer disfarçar o que tá na cara, nem inventar o que não existe. Pensando bem, há mais pessoas lá fora. Perdi um tempo danado achando que você era o único e, na verdade, você não é. Tanta gente lá fora fazendo de tudo pra me ganhar, e você aí, fazendo de tudo pra me perder.
Desisti, sabe? Você mexe comigo, sim. Mas não significa que eu tenho de abrir mão de todas as oportunidades que me aparecem, ainda mais por alguém que não mexe um pauzinho sequer pra fazer as coisas darem certo. Aquele negócio de amor unilateral não dá certo pra mim, entende? Sou apaixonada em palavras bonitas, mas não consigo viver sem um pouco de carinho de verdade. Porque amar quando tá tudo bem, é fácil. Difícil é se entregar de corpo e alma, pro que der e vier.

Liberdade sem hipocrisia



A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu a união civil entre homossexuais trouxe grande polêmica em todos os cantos do Brasil. A partir dessa decisão, casais gays passam a ter direitos como pensão por morte ou separação, herança e declaração compartilhada do Imposto de Renda.  O fato gerou protestos e discussões, o que é (ou pelo menos deveria ser), com toda certeza, motivo de indignação.
Vivemos num país onde pessoas ainda sofrem com a miséria. O trabalho infantil gera adultos analfabetos. A falta de saneamento assola comunidades inteiras. A violência não para, o trânsito está um caos, a corrupção a mil por hora. E os vereadores lá na Câmara, discutindo, às custas do salário pago com o dinheiro público (que abrange os homossexuais), a liberdade de manifestação  de uma escolha um tanto quanto privada: a união de pessoas do mesmo sexo.
Que tipo de sociedade retrógrada e ultrapassada é essa que só considera como entidade familiar um lar onde vive um casal de heterossexuais com seus filhos? Aliás, não é contraditório demais afirmar e proteger todo esse tradicionalismo enquanto vivemos num país onde existem milhares de mães solteiras, crianças criadas pelos avós, filhos que nunca conheceram a mãe, e mesmo assim fazem das pessoas que têm presentes em sua vida, sua família? Dizer que uma criança que tem pais ou mães homossexuais possui uma família incompleta - ou inexistente-, é afirmar que uma criança cuidada só pela mãe também não possui uma família inteira. E quem irá dizer o que é completo ou não? Uma família completa (e suficiente) é aquela onde há amor, carinho, educação e princípios – e isso independe da orientação sexual de seus integrantes.
O que há de mais incompreensível na questão acerca da união homoafetiva é: por que heterossexuais, que nunca tiveram sua orientação sexual questionada ou reprimida, e nunca sofreram nenhum tipo de interferência  judicial nas questões que envolvem sua vida pessoal e conjugal, se incomodam tanto com a legalização da união civil entre homossexuais? Ninguém está querendo implantar uma “ditadura gay” no Brasil. O grupo de beligerantes que se posiciona contra o reconhecimento dos direitos dos casais gays, deveria procurar, na mesma Constituição Federal em que tenta buscar objeções a união de pessoas do mesmo sexo,  as evidências do  direito à dignidade da pessoa humana, bem como à igualdade e ao veto ao preconceito.
A orientação sexual de uma pessoa não define sua humanidade. Os direitos humanos são para todos os humanos, e isso abrange as minorias. Já passou da hora da liberdade sexual e, principalmente, social dos homossexuais ser reconhecida.

Cuidando do meu jardim

Eu sei que abri mão de várias oportunidades. Sei que muitas vezes não dei valor ao amor que me deram de maneira pura, gratuita e sincera. Talvez por egoísmo, talvez por falta de maturidade ou por simples mau humor. Mas as pessoas são assim. Ignoram o que há de mais bonito e verdadeiro por desatinos e preguiça de lidar com coisas mais sérias. Porque viver ignorando a importância das coisas às vezes é bem mais fácil. Dá menos trabalho. Eu me arrependi algumas vezes, e ainda me arrependo. Mas também aprendi que cuidar de flores é para poucos, e requer paciência e tempo de aprendizado. E eu vou tentando, porque um dia eu sei que chego lá.

Sem demora

Dizem que a gente só dá valor nas coisas quando a gente perde. Durante algum tempo, eu tive medo de que eu aprendesse isso da pior maneira possível: perdendo você. Não por não te dar valor, mas por não saber entender o valor do que você era pra mim. Mas por algum ótimo motivo, nada disso precisou acontecer. Existe uma fase na minha vida em que eu tento organizar minhas ideias e entender o que eu sinto. Hoje eu tô aqui, esperando você voltar da sua quase-viagem com a certeza de que eu não precisei te perder pra perceber o quanto você é essencial pra mim. 
Eu juro não perder uma oportunidade sequer de te deixar nascer dentro de mim, todos os dias. Porque quando eu acordar, é em você que eu quero pensar, é com você que eu quero falar, é pra você que eu quero olhar. Já que agora você habita meu coração, espero que permaneça. Eu tô feliz por você estar aqui comigo de algum jeito, mesmo quando tá longe. Eu tô feliz por ser sua e você ser meu. Eu tô feliz por estar sentindo saudades e saber que você vai voltar pra mim. Vê se não demora. 

Aprender a lutar

Quando a gente tá sofrendo, dói. Dói muito e a gente pensa que a dor não vai passar. Mas depois que você enxuga as lágrimas e vê um novo dia nascendo, você percebe que todo sofrimento é, também, um aprendizado. E esse aprendizado é o escudo que vai te proteger no futuro. É a arma que vai te deixar mais prudente e seguro, a força que vai te fazer crescer. E quando você já tá calejado, não é qualquer coisa que te derruba. Por isso, mesmo que esteja doendo, continue lutando. Não desista do que você quer, mesmo que pareça impossível. Não abaixe a cabeça, mesmo se estiver doendo ficar de pé. Porque a dor passa, a vida segue e, suas experiências, ninguém pode tirar de você.

Homens e Machos: conheça a diferença


Não há nada mais idiota no mundo do que o totalitarismo exacerbado e machismo descontrolado.
Tem homem que gosta de mostrar que é macho. Gosta de arrotar alto, cuspir no chão, dizer bobagens, falar mais alto do que o necessário. Gosta de pegar 43 garotas numa festa só e ainda falar mal de todas elas no dia seguinte. “ – Fulana é vadia, Aquela lá não vale nada, Aquela outra foi fácil pegar!” Tudo o que há de mais broxante para uma mulher. O macho parece querer a todo custo se assemelhar a um primata, de hábitos grotescos e incompreensíveis. Deveria haver um indicador que revelasse a existência desse tipo de ser assim que ele se formasse.
Homem de verdade sabe ser macho na medida exata. O desejo diabólico, a vontade sem medida, as provocações, tudo é permitido. Homem que virou homem, sabe que para amar uma mulher é necessária a safadeza, a falta de vergonha, a firmeza. Mas sem sinceridade, tudo isso vira só... “macheza”. Se a sinceridade não acompanhar a ânsia, tudo não vai passar de uma peça teatral. Se o respeito não acompanhar o apetite, o máximo que você vai conseguir é a monotonia. Porque mulheres são mulheres, em qualquer lugar do mundo. Mulheres se excitam mais com uma frase sussurrada no ouvido do que com uma mão inesperada na bunda dela. Mulheres desenvolvem os desejos mais selvagens a partir de um olhar profundo, e não quando ouvem um “ – Gostosa!” enquanto caminham. Mulheres valorizam mais o mistério da conquista do que a chegada da recompensa.
Enquanto os homens costumam colocar o tamanho da sua máquina e o seu desempenho sexual como fatores imprescindíveis para que uma mulher fique com eles, para ela, o que realmente importa, é a presença. Não é a toa que muitas topam ficar com amantes razoáveis desde que sejam presentes. Enquanto os homens buscam a certeza de que são bons de cama, as mulheres buscam apenas um homem. Um homem, não um menino.
Mas a boa notícia é que, na maioria das vezes, os meninos um dia crescem, e após se firmarem como homens, e perderem a necessidade de provar o que são, permitem-se experimentar coisas que antes condenavam, como por exemplo, DAR. Dar sinceridade, amor, paciência, respeito, tempo, convivência, uma mensagem de boa noite, uma ligação no meio da madrugada, um “eu te amo” inesperado. Uma hora, os homens acabam descobrindo que não é a mulher que “dá” sozinha. Sexo, casamento, namoro, é entrega dupla, mútua, igual. É onde só há o totalitarismo saboroso e o descontrole cedido.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Sem você


Às vezes nem dá pra acreditar em como nossa história terminou. Eu que achei que o que a gente tinha era tão bonito, tão especial, agora só tenho certeza das lembranças do que um dia existiu. E eu só me pergunto por que é que tinha que ser assim... Por que você tinha que parar tão longe de mim se a gente dizia se amar tanto? Por que o orgulho foi tão maior que a amizade que a gente tinha, a ponto de nos separar mais do que qualquer distância poderia? 
Eu vivo bem sem você, confesso. Hoje eu tenho alguém que me dá o carinho e a atenção que você nunca deu, não sei se por falta de vontade ou de jeito. O fato é que sentir saudade não é proibido, nem mesmo pelo meu orgulho. E eu sinto. Não posso negar que você foi único pra mim. O seu sorriso era único, seu jeito crianção, sua falta de jeito pra falar e elogiar, seus defeitos, seus abraços... Todos únicos. E por isso eu me sinto no direito de sentir sua falta, apesar de não te querer mais. Doía muito ter você. Só não sei se doía mais do que não ter. 
Hoje eu sei que existem muitas pessoas melhores que você. Mas foi você que eu amei, foi de você que eu queria cuidar pra sempre e foi com você que eu imaginei estar daqui cinqüenta anos. Mas não deu, né? Eu te mandei embora, e você foi. E quer saber? Eu não vou te chamar de volta. Porque hoje não existe mais espaço pra você na minha vida. Eu chorei de saudade, sua falta me doeu fisicamente. Apertou o peito. Cinco meses sem contato nenhum com você parecem ser cinco anos. Mas eu tenho superado isso. Imagino que com muita mais dificuldade do que você, se é que teve alguma. Mas isso não me importa mais. Só sei que toda a tristeza que antes era gigante, hoje já não me assusta. Sou capaz de me sentir leve, mesmo sem você. Quem diria...

Desafogo

Às vezes eu me sinto sucumbir. Talvez eu seja intensa demais pra essa vida. Ou talvez seja drama, exagero - só um monte de bobagem que fiz questão de enxergar maior. Mas eu sei que foi assim que encontrei um jeito de seguir em frente. As verdades sórdidas já me maltrataram tanto e, quer saber? Hoje sinto que não me acostumei, nem nunca vou me acostumar. Eu que já quis tanto fechar o peito pra tudo o que acontecia em volta, ignorar as fraudes do mundo, fingir de cega e forte, enfim descobri que ser fria não é pra mim. Eu sinto, eu choro, eu me desespero. E no momento é assim que eu tô: perdida.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Love will tear us apart


Vim aqui pra dizer que eu desisto de você. Não porque eu tô brava, magoada, nada do tipo. Não porque eu não te amo mais ou porque não quero mais você na minha vida. A questão é que eu não consigo mais colocar tanto conteúdo onde não há capacidade para ele. Acho que eu até devo desculpas por, talvez, ter te sufocado demais com esse carinho enorme que eu sinto por você. Nunca foi minha intenção te pressionar, te preocupar ou te fazer sentir responsável por nenhum dos meus numerosos dramas. Eu sei que às vezes sou dramática demais, intensa demais, inconstante demais, louca demais. Mas é que eu não suporto meio termos, entende? É por isso que eu venho, sem nenhuma pretensão ou desejo de manipulação, dizer que, já que não posso ser tudo, prefiro ser nada.
Talvez o nosso problema tenha sido... incompatibilidade. É como uma vez li em algum lugar: eu fui a tempestade enquanto você era apenas um copo d'água. E eu não te culpo por isso. Ninguém é obrigado a estar em sintonia com os pensamentos e sentimentos de outra pessoa - você também não é. Você tem o seu jeito, eu tenho o meu e, assim como você, não estou disposta a mudar. Eu já tentei melhorar muita coisa em mim, mas também já aprendi que sem meus defeitos, eu não sou eu. E por mais que você tenha sido uma das pessoas que eu mais gostei na vida - e entenda, ainda gosto -, eu não posso abrir mão de mim por você. Você no meu lugar também não abriria, não é mesmo?
Uma vez eu te disse que você é superficial, lembra? Pois então. Superficialidade, pra mim, é não saber abrir mão um pouquinho do orgulho que se tem pra ir trás do que se preza. É não mexer um pauzinho sequer pra tentar melhorar as coisas quando tá tudo uma merda. E por favor, tente compreender, eu fiz tudo o que eu pude por você. Eu quase surtei nos últimos meses só de pensar em como seria minha vida quando você fosse embora. E sabe o que você fez? Achou ruim. Me achou dramática, desesperada, ou sei lá o que você pensou mais. Eu queria muito tentar escrever algo sem ter que despejar milhões de críticas em você. Mas se isso não mostra ingratidão ou indiferença, mostra, no mínimo, uma infantilidade enorme da sua parte.
Na semana passada eu sumi por quatro dias. E nesse período a gente não se falou uma única vez. Você reclama às vezes da maneira como eu trato e ajo com as pessoas e, finalmente, eu acho que você tem razão. Porque se o justo a se fazer é tratar as pessoas com reciprocidade, eu nunca deveria ter te tratado como prioridade. Eu nunca fui uma na sua vida... E naquela sexta-feira, lá na sua casa, eu não chorei do nada. Eu chorei porque olhei pra você e percebi tudo isso. Percebi que enquanto eu ficar mal por te perder, você vai me perder e vai só aceitar, porque é só isso que você sabe fazer. Percebi que uma semana foi suficiente pra fazer a gente se tratar como estranhos. O que meses e anos vão fazer com o que a gente chama de amizade? Percebi que eu te amo demais, mas cansei de ir atrás. Esse texto é pra isso: pra dizer que você tá livre de todos os nós que eu te fiz. Quando quiser, eu vou estar aqui. Mas não me trate como obrigação - trate como opção. Juro que depois de tantas, é a última coisa que eu te peço.