sábado, 15 de dezembro de 2012

Filipe José Silva ♥


É engraçado como as pessoas vão embora de repente, né? Engraçado como a vida e a  morte andam juntas, e a qualquer momento uma se põe no lugar da outra. E é engraçado como a gente fica relembrando e revirando na memória os melhores momentos que hoje só podem ser lembranças. Tudo o que um dia foi e não pode mais ser. Que existiu e agora se perdeu em algum lugar. É engraçado como isso é confuso, né? Não, não é. Não tem nada de engraçado nisso. Só existe dor, só existe desespero. A saudade de você é tanta que me dói fisicamente, sabia? Eu queria tanto, mas tanto, saber que você não me deixou. Saber que de alguma forma você ainda tá olhando pra mim, tá vendo o que eu tô sentindo e o quanto eu ainda te amo.
A morte não é justa. E tudo o que a gente tinha pra viver um do lado do outro? Tudo que a gente ainda tinha pra brigar, pra pirraçar, pra brincar? Sabe, eu olhei pra você deitado ali naquele caixão e de alguma maneira eu senti que não era você ali. Eram suas mãos, seu rosto, sua pele, mas não era você. Você sorriria e me daria um abraço. Diria que eu tô gordinha e tenho que malhar. Ia criticar meu cabelo e meu jeito de falar, mas depois ia dizer que eu tava linda. Não, não era você. Tá doendo tanto, nego. Tá doendo muito ler nossas conversas e não poder mais falar com você. Olhar pro bichinho que você me deu e saber que ele nunca mais vai ter seu cheiro. Lembrar da alegria que sua presença trazia e não poder mais te sentir. Eu fui na sua casa ontem, sabia? Mas ela não tem graça nenhuma sem você. Pelo contrário, tava tudo muito triste. Tudo no mesmo lugar... O sofá, a mesinha, as fotos, o tapete. Mas e você, tava onde? Eu não aguento mais ficar chorando aqui, feio. Eu fecho os olhos e penso em você, o tempo todo. Fecho os olhos e consigo ver seu sorriso, ouvir sua gargalhada. Eu lembro de tudo o que você me disse um dia e parece que nada mais faz sentido. As nossas conversas eram tão boas, nossos planos eram tão puros. A gente tinha um sentimento tão bonito um pelo outro. Era tão bom ficar escutando suas histórias, as coisas que você imaginava... Eu tô triste como nunca estive. Você deixou algo em mim que não tô conseguindo carregar. O tempo tá passando e a cada hora eu tenho mais vontade de ter você de novo aqui. Eu tenho mais vontade de voltar no tempo e fazer tudo de um jeito melhor. Há cinco anos eu tava na escada do colégio chorando porque não ia te ver todo dia. Mas eu te ligava e você me procurava. A gente ia fazer compras no supermercado. Ia conversar lá perto da salinha que você foi trabalhar. Você aparecia nos lugares que nem queria ir, só pra me ver. A gente ficava junto da maneira que podia. E agora? Como eu faço pra dizer que tô com saudades? Pra dizer que tenho orgulho de você, que te admiro, que você foi uma das pessoas mais importantes da minha vida? Você sabia disso, eu sei que sabia. Mas dói muito saber que agora você não me ama mais, que não tenho mais você. Que alguém tirou de você a vida e tirou de mim uma alegria certa, uma amizade única, uma história linda. Não é justo, dadin. Você disse que ia cuidar de mim. Disse que era pra eu não chorar. Disse que ia ficar do meu lado. Eu trocaria tanta coisa pra poder te ver cumprindo isso que você prometeu. Pra ver você realizar os sonhos que me contava que tinha. Pra ver acontecendo tudo o que você imaginava pra sua vida. Eu queria tanto te ver envelhecer, ver as coisas loucas, boas, certas e erradas que você ia fazer. Eu sei que você não queria ir embora agora, eu sei. Você gostava de viver. Você era folgado, orgulhoso e pirracento, mas conquistou um monte de gente. Você era uma pessoa boa, eu sei que era. Você disse que eu te conhecia mais do que você mesmo, lembra? Por isso eu sei que não era pra ser assim. Ir embora não tava nos seus planos, não tava. E eu quero você de volta. Volta, volta, volta!

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