domingo, 3 de fevereiro de 2013

Paixão Vilanovense


Hoje foi dia de clássico. E quem tá falando sobre isso é uma mulher (e lá se vai toda a credibilidade do resto do meu texto, né?) não muito entendedora de futebol. Sei muito pouco sobre a história, as lutas, títulos, jogadores e tudo o mais que envolve os dois times: Goiás e Vila Nova. 
Duas torcidas com um histórico de rivalidade conhecido por qualquer goiano que se interesse minimamente por futebol (eu entro nessa parte da história). Mas não vou fingir imparcialidade. Sou vilanovense há quase sete anos, e tenho meus motivos. Não sou nenhuma fanática e, acho que por isso, muitas vezes critico o comportamento de muitos torcedores por aí. Mas só quando se vai pro estádio assistir a um clássico desses é que dá pra entender o tamanho da paixão dos torcedores. A massa fazendo aquele lugar tremer, com pulos, com palmas, com barulho de tambor, com gritos no tom mais alto possível e pedaços de cadeiras e pedras voando entre as torcidas também. E corre pra lá, corre pra cá, foge da polícia aqui, solta fumaça ali. Atitudes que, certas ou erradas, evidenciam uma paixão cega, um amor que não liga pra consequência nenhuma.
Não é a intenção minimizar torcida nenhuma mas, convenhamos amigos esmeraldinos (carinhosamente também chamados de "moxés"), torcer pra time que tá ganhando além de bom, é fácil. Dá orgulho, dá prazer e, vamos combinar, muitas alegrias. Mas sabe o que eu acho bonito mesmo? Manter a paixão pelo time mesmo nas piores fases. É lotar o estádio quando o time não tá ganhando porra nenhuma. É ser, sim, sofredor. Mas acima disso, torcedor de verdade. Porque como em tudo nessa vida, é nos momentos mais difíceis que a gente sabe quem é de verdade e quem é de mentira. O que é por essência e o que é por conveniência. 
Meus parabéns ao time do Goiás. Talvez tenham realmente merecido o resultado que tiveram. Talvez não. Independente disso, levaram a vitória, e isso conta. Mas sempre achei que a parte mais importante de um clube de futebol é a torcida. Os jogadores se aposentam, mudam de time e de camisa facilmente e, muitas vezes, se importam muito mais com o salário que ganham do que com o time em si - são muito mais mercenários que jogadores. A diretoria muda, a situação financeira e muita coisa mais que eu nem sei que existe deve mudar também. Mas o que fica por cinco, dez, trinta anos, são os torcedores. E isso o Vila Nova tem como nenhum outro time goiano. Um povo que grita apesar do mau desempenho dos jogadores, torce mesmo debaixo de chuva, canta em coro todas as músicas até quando não há gols, dá o sangue (muitas vezes literalmente) mesmo sem títulos. Uma torcida apaixonada que quer ver o time honrar essa paixão e voltar a jogar com o mesmo empenho que a torcida tem pra gritar. A frase do dia? O atual Vila não merece a torcida que tem. - dita pelo meu namorado, o pai dele e provavelmente muitas outras pessoas ali. Ainda assim, ela vai tá lá. Vai comparecer, vai torcer, vai gritar. Não pelos resultados, mas pelo amor.

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