terça-feira, 8 de maio de 2012

Liberdade sem hipocrisia



A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu a união civil entre homossexuais trouxe grande polêmica em todos os cantos do Brasil. A partir dessa decisão, casais gays passam a ter direitos como pensão por morte ou separação, herança e declaração compartilhada do Imposto de Renda.  O fato gerou protestos e discussões, o que é (ou pelo menos deveria ser), com toda certeza, motivo de indignação.
Vivemos num país onde pessoas ainda sofrem com a miséria. O trabalho infantil gera adultos analfabetos. A falta de saneamento assola comunidades inteiras. A violência não para, o trânsito está um caos, a corrupção a mil por hora. E os vereadores lá na Câmara, discutindo, às custas do salário pago com o dinheiro público (que abrange os homossexuais), a liberdade de manifestação  de uma escolha um tanto quanto privada: a união de pessoas do mesmo sexo.
Que tipo de sociedade retrógrada e ultrapassada é essa que só considera como entidade familiar um lar onde vive um casal de heterossexuais com seus filhos? Aliás, não é contraditório demais afirmar e proteger todo esse tradicionalismo enquanto vivemos num país onde existem milhares de mães solteiras, crianças criadas pelos avós, filhos que nunca conheceram a mãe, e mesmo assim fazem das pessoas que têm presentes em sua vida, sua família? Dizer que uma criança que tem pais ou mães homossexuais possui uma família incompleta - ou inexistente-, é afirmar que uma criança cuidada só pela mãe também não possui uma família inteira. E quem irá dizer o que é completo ou não? Uma família completa (e suficiente) é aquela onde há amor, carinho, educação e princípios – e isso independe da orientação sexual de seus integrantes.
O que há de mais incompreensível na questão acerca da união homoafetiva é: por que heterossexuais, que nunca tiveram sua orientação sexual questionada ou reprimida, e nunca sofreram nenhum tipo de interferência  judicial nas questões que envolvem sua vida pessoal e conjugal, se incomodam tanto com a legalização da união civil entre homossexuais? Ninguém está querendo implantar uma “ditadura gay” no Brasil. O grupo de beligerantes que se posiciona contra o reconhecimento dos direitos dos casais gays, deveria procurar, na mesma Constituição Federal em que tenta buscar objeções a união de pessoas do mesmo sexo,  as evidências do  direito à dignidade da pessoa humana, bem como à igualdade e ao veto ao preconceito.
A orientação sexual de uma pessoa não define sua humanidade. Os direitos humanos são para todos os humanos, e isso abrange as minorias. Já passou da hora da liberdade sexual e, principalmente, social dos homossexuais ser reconhecida.

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