Nunca gostei da ideia de ser algo passageiro na vida das pessoas. Ser a "antiga-conhecida", a amiga de antigamente. Pelo menos não na vida de quem eu considerava importante pra mim. Na verdade, essa ideia sempre me assustou um pouco porque, do meu jeito meio esquisito, tento sempre estar junto. Sou daquele tipo de gente que luta pra manter as pessoas por perto, sofre com a distância, não dá conta de levar pra prática a lei do desapego. Muitas vezes em vão, confesso. Já passei algumas vezes por aquelas fases de mudança que mexem completamente com a rotina da gente. Levam as pessoas pra outros lugares, te geram outras obrigações e te presenteiam com novos ares. E que tristeza isso pode ser!
Não consigo fugir da obrigação de me sentir péssima ao encontrar um antigo amigo na rua e passar por ele como se nunca tivéssemos nos conhecido. Olhar pelo canto do olho, pensar um monte de vezes em cumprimentar a pessoa e não conseguir. Ser freada pela falta de intimidade, pela incerteza do reconhecimento. E daí que vocês se viam todos os dias, compartilhavam o mesmo espaço e tudo mais? Já passou, você nem sabe mais quem aquela pessoa é, o que pensa de você e que lembranças tem do que viveram. Aliás, conheço poucas coisas tão desagradáveis quanto alguém me perguntar sobre uma pessoa e eu ter de explicar que se trata do meu "ex-melhor-amigo". Que não tenho mais seu telefone, não sei o que faz da vida nem tenho notícia alguma. Isso existe? Não é patético demais contar pra alguém que "a gente se via todos os dias, se ajudava no trabalho, estudava junto, era vizinho, brincava na mesma rua ou até morava na mesma casa MAS agora é como se nada disso tivesse acontecido"?
Não falo só de amizades ou amores sólidos e duradouros. Falo de qualquer relação que um dia foi boa e fez bem para as duas partes. Eu sei que muitas vezes alimentar-se de passado significa morrer de fome. Mas, nesse caso, custa muito trazer um pouquinho dele pro presente, nem que sejam as boas lembranças? Pode parecer (e até ser) frescura, carência, falta do que fazer, pode ser até romantismo. Mas em algum lugar do mundo deveria estar escrito que, pessoas que se gostaram um dia, lembrariam-se sempre disso. Pessoas que em algum momento da vida se amaram, lembrariam-se desse amor ao menos pra fazer dele uma amizade bonita. Ao menos por consideração, recordação, vontade de não se perderem. Ao menos para continuarem se conhecendo, apesar de todos os apesares.
nossa amor vc é uma artistar mesmo.. me arrepia cada texto seu...
ResponderExcluirE quem dera mesmo nao existisse indiferença entre pessoas q ja se amaram..